Sunday, June 3, 2007

INOVAÇÃO INCREMENTAL versus RADICAL




O novo regulamento RJIES proposto pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em discussão na sociedade portuguesa, propõe no seu artigo artigo 24.º a criação da figura do Provedor do Estudante em toda e qualquer instituição do Ensino Superior.

Para os meus alunos que têm alguma dificuldade em responder à questão colocada no Fórum e-U, eis aqui um bom exemplo de inovação incremental.


Interessante, esta distinção do RJIES, entre estudante e aluno. À priori estaria mais inclinado para pensar que o Provedor deveria ser do aluno; o aluno passa mais tempo na unidade de ensino do que o estudante, até porque o estudante tem outras coisas para fazer, além de alunar.

Então, querida(o)s amiga(o)s dos RHs, e o lobby nos locais de trabalho, será uma inovação radical???

Já foi dito um par de vezes, mas nunca é demais recordar… “Um blog é só mais uma ferramenta de comunicação + relacionamento activo por parte de quem entra na roda + relacionamento passivo por parte de quem só usa espreitadores”.
Olhando para isto nesta perspectiva e entendendo que o LABINOV (também) serve como braço armado da educação, funcionando como lançador de objectos de aprendizagem, regressemos então, ao local do crime.

INOVAÇÃO RADICAL:
Possui novas características de desempenho a nível mundial;
Causa impacto em termos de melhoria de desempenho superior em 10 vezes ou mais;
Altera a base concorrencial do mercado, não raras vezes gerando um novo mercado.
A inovação radical está concentrada em novas tecnologias, em novos modelos do negócio e em negócios da descoberta. A isto chamamos às vezes: "Technology Push Innovation” ou seja: “inovação por impulso da tecnologia”;

INOVAÇÃO INCREMENTAL:
A inovação incremental procura melhorar os sistemas que já existem, tornando-os mais baratos, melhores, mais rápidos. A isto chamamos às vezes:“Market Pull Innovation” ou seja: “Inovação por tracção do mercado”.


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Enquanto muitas organizações vão reconhecendo que a inovação é importante para o seu crescimento e sucesso, o termo “inovação” ainda se mantém sem uma concordância, que se traduza numa definição consistente no mundo dos negócios.

Inovação é criatividade dentro de um trabalho que tem de ser feito;
A inovação são pessoas que criam valor executando ideias novas;
O ponto de partida para a inovação é a geração de ideias criativas. A inovação é o processo de levar aquelas ideias até ao mercado;
A inovação é qualquer coisa que proporciona um novo benefício a um cliente ou a um empregado;
A inovação tem que ver com a procura e a descoberta, a experimentação, o desenvolvimento, a imitação (cópia) e a adopção de novos produtos, novos processos e novos alinhamentos organizacionais;
A inovação é a conversão do conhecimento e das ideias num benefício, que possa ser para uso comercial ou como bem público; o benefício pode ser sob a forma de produtos novos ou melhorados, processos ou serviços;
A inovação é o processo que transforma ideias em valor comercial;
A distinção entre a “invenção” e a “inovação” é que a invenção é a criação de uma ideia ou de um conceito novo, e a inovação é todo um roteiro que se percorre para transformar o conceito novo no lançamento comercial bem sucedido ou na sua difusão num âmbito muito alargado.

10 comments:

Ricardo Caldas said...

Caro professor, confesso que me é difícil rebater qualquer uma das suas definições de inovação. Contudo gostaria que me comentasse o seguinte:
Partindo desta sua frase: "Inovação é criatividade dentro de um trabalho que tem de ser feito

Gostaria que me comentação o nome da nossa "disciplina" Inovação & Criatividade. Se me diz que inovação é criatividade como podermos separar os dois conceitos?

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Tenho dito.

Alexandre Sousa said...

Vamos a ver se sou capaz...

Nota 1:
A disciplina chama-se Inovação & Competitividade; vamos reservar uma sessão para discutir as ideias e propostas de MPorter.

Nota 2:
Há um trabalho que tem que ser feito e para o qual já existe um procedimento escrito e assimilado pelos escravos que o levam a cabo.
Esse trabalho consistia em rebocar um bloco de pedra desde a base até ao topo da pirâmide de Gizé. Aquela malta (supõem-se) fazia umas brincadeiras com areia e etc, conseguindo ao final de um ano ou dois transportar o bloco até à posição definitiva.
Entretanto chegou ao estaleiro da construção, um grego, discípulo de Arquimedes; businou qualquer coisa ao ouvido do Engenheiro Chefe e este mandou suspender o puxanço do bloco.
Abriram uma galeria na horizontal junto à base da pirâmide e quando o túnel atingiu a vertical do lugar, coordenadas X = 283 & Y =0, a pedra foi puxada de baixo para cima, ou seja, foi içada.
Nasceu assim uma inovação de base tecnológica e suportada na criatividade.
DISSE!

Ricardo Caldas said...

Só hoje de manhã quando lia o novo post que coloquei me apercebi do erro que cometi com o nome da disciplina. Pelo que desde já fica o reparo à minha pessoa para que não se esqueça do mesmo e por outro lado a questão que coloquei deixa de fazer sentido. Eu até a ia retirar, mas uma vez que já a comentou deixo este Mea Culpa.

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Tenho dito.

Alexandre Sousa said...

Grande Ricardo... quem é que neste mundo de pepes rápidos não lê:
"Digo, onde digo digo não digo digo digo Diogo!"

Se eu, velho de 150 anos, me enfiasse num buraco pr cada erro, não chegaria um queijo gruyère para disfarçar todos os lapsos da colecção própria.

Inovação e Competitividade, porque eu sou seguidor,missionário, de algumas ideias de MPorter.
Segundo este bispo, grande senhor das ideias, a inovação é base de todo o progresso, logo de alterações significativas no âmbito da competitividade das nações.

Pedro Rodrigues said...

E como diria aquele velho sábio, "Só dei que nada Sei".
Este é o primeiro passo num processo de aprendizagem. O reconhecer que não se sabe tudo nem que é humanamente possível saber tudo é o reconhecimento de todas as nossas limitações quer intelectuais quer fisicas.
Não me parece porém estarmos na presença numa determinada instituição de ensino, que todos nós sabemos qual é, que seja capaz de um qualquer tipo de inovação dos anteriormente descritos.

Olinda Maia said...

olá
Com base na frase, "A inovação é o processo que transforma ideias em valor comercial",vou contar uma situação que aconteceu em Maio deste ano.

Em determinada empresa um dos funcionários administrativos,que vou chamar de João, contou-me que utilizavam um arquivo (pasta) por cliente/fornecedor e que o processo era o seguinte:
A documentação (factura, notas de crédito,...) era lançada na contabilidade, os originais arquivados numa pasta mensal e uma cópia era arquivada na respectiva pasta do cliente/fornecedor.

Até aqui, tudo parece estar em conformidade.Perguntei se podia ter acesso a uma pasta e foi-me facultada a de fornecedor.

Abri a pasta e ao analisar o último documento arquivado:
Eu - Compram pouco a este fornecedor?
João - Pelo contrário, é dos maiores da empresa.
Eu - Mas o último documento arquivado é de 12 de Abril.
João - Pois, o facto é que esse arquivo dá muito trabalho, é muito chato e vou deixando ficar, por vezes arquivo dois ou três meses, passo horas a arquivar.
Eu - Consultam muitas vezes este arquivo?
João - Não, penso que nunca, é mais fácil utilizar as contas correntes e verificar a pasta mensal e também é raro estar em dia.
Eu - Qual a razão de utilizarem este procedimento se não tem utilidade para a empresa?

Com um olhar perplexo João respondeu; Sei lá, foi sempre assim.

Esta situação infelizmente não é única, a falta de análise custo-benefício dos procedimentos instituidos ou a instituir numa empresa resulta, normalmente,em custos elevados.
No caso apresentado, o abandono desta prática levou a uma poupança de recursos como, tempo, papel, tinta, espaço ou seja, dinheiro e transformou o trabalho do João, num melhor trabalho, que, em minha opinião será a parte que cria mais valor para a empresa.

Será isto inovação? Penso que sim.

Olinda Maia

Paulo César Martins said...

Já que a Qualidade define-se como a "aptidão ao uso", Inovação poder-se-á definir como "aptidão à mudança" (esta é minha e passa a pagar direitos de autor). Quanto mais inovadora é a empresa, mais capacidade tem de mudar.

Eu acho interessante que, de uma forma global, se olhe para a inovação como sendo algo com reflexos positivos, mas o meu entendimento vai mais longe e eu acho que a Inovação pode ser positiva ou negativa. Só o tempo o poderá dizer se efectivamente o momento inovador de uma determinada empresa verá algo de positivo ser reflectido no futuro.

A inovação que a Olinda nos trouxe é, sem dúvida, a mais difícil de concretizar. É certo que é esse o caminho até a empresa perceber que afinal, não precisa de papel para nada e tudo pode ser armazenado em formato digital e o papel poderá ser reciclado e a empresa contribuir para o "bem social".

Por outro lado, dá-se demasiado ênfase à inovação como algo virado para a função comercial e não tem necessariamente que ser dessa forma. Em algumas empresas de topo, dá-se prioridade às inovações incrementais que tragam uma mais-valia para os colaboradores da própria empresa. Imaginem que, no exemplo da Olinda, o João teria que manter a pasta em ordem... quantas horas teria ele que passar de volta do dossier para o manter em ordem? Não poderia estar descansado a ver a bola em casa?

sofia peixoto said...

Eu considero que a inovação é um processo relacionado com o acréscimo permanente de novos elementos aos produtos ou serviços existentes. Não se trata de um processo de invenção ou criação de novos produtos, mas sim de introdução de melhorias em produtos existentes com vista a obter vantagem competitiva, factor de vital importancia no mundo empresarial!

Uma pequena nota - Para Thomas Edison a inovação é 1% de inspiração e 99% de esforço.

Sofia Peixoto

rualbran said...

Uma pergunta - à medida que a ciência e o conhecimento aumentam,
qual será a inovação mais potenciada ou probabilizada? - a radical ou a incremental? - Eu acho que as inovações radicais são tão mais difíceis quanto maior fôr o grau de desenvolvimento da ciência!
Estarei certo? Fico á espera de esclarecimentos do meu povão.

Marisa Pinto said...

Eu considero-me uma leiga nestes matérias...talvez fruto da minha formação pessoal e académica, sempre estive muito mais atenta às questões relacionadas com as relações humanas, com as condições em que milhões e milhões de pessoas têm que (sobre)viver, entre muitas outras... muito honestamente, em nunhuma outra altura me "debrucei" sobre o tema da Inovação, embora tenha, evidentemente, uma noção das diferentes inovações que vão surgindo e que vão sendo da maior importância na nossa vida.

Estou certa que toda esta "discussão" em volta do termo faz todo o sentido, e será, certamente, uma mais valia para todos. Para mim, já o está a ser.

Aproveitando o post do colega Ricardo, em que colocava em questão o nome da disciplina, parece-me fazer todo o sentido "Inovação e Competitividade", dado que no meu ponto de vista a Inovação surge como a maior fonte de competitividade. No entanto, considero,que esta não está ao alcance de todos... não só por nem todos terem acesso ás inovações que para muitos de nós são "bens adquiridos", mas também porque inovar não é para todos nem para quem quer! Considero, porém, que evoluir sim, é para quem quer...e todos deveríamos quere-lo!!

Não posso também deixar de referir que ao pensarmos em Inovação não podemos salientar apenas aspectos positivos, porque esta envolve, inevitavelmente, aspectos negativos e devemos estar conscientes dos mesmos.