Sunday, September 16, 2007

Tecnologias de Ensino ou Tecnologias de Aprendizagem?


Tive uns dias fantásticos durante esta semana, de que dei conta no blogue da educação superior, mas regresso aqui a este espaço, pouco procurado, nada comentado, mas importante para mim como bloco notas para registo de ideias e experiências que possuem uma base de ausentes sim mas contabilizáveis.

Estive presente durante sete horas numa sala de aula onde se debateram métodos e técnicas para incluir os estudantes no contexto da lição e sobretudo participar da instrução. Já deram conta que esta palavra praticamente desapareceu do vocabulário do eduquês?

Já depois da sessão e como os meus amigos Felder & Brent não regressaram logo aos States, tivemos possibilidade de continuar a comentar estas coisas. É um facto indesmentível que todas as universidades e politécnicos gastam uma fatia do orçamento na montagem de estruturas de apoio a toda a máquina de eLearning com que se adornam folhetos e anúncios susceptíveis de argumentar no sentido de que a minha escola é melhor do que a tua. Raramente se escreve isto, por isso é que os blogues têm a sua importância, mas não é conhecido nenhum caso de sucesso no espaço nacional, que consiga evidenciar as supremas vantagens e benefícios dos chamados LMS ou ‘learning management systems’. Este palavrão, disponível como não pode deixar de ser na wikipedia, designa um sistema informático cujo objecto é a administração da aprendizagem efectuada sob o suporte da WEB.

Como dinossáurio estou com estas coisas desde há 20 anos atrás, quando tudo eram promessas e a ignorância tamanha, de tal modo que todas as barbaridades eram permitidas. Essa tarimba e a quantidade astronómica de erros cometidos deram-me pele de sapo. Hoje, não tenho qualquer pudor em apontar a dedo a escassíssima minoria que faz uso da tecnologia como espinha dorsal da sua disciplina educativa, dominadores de plataformas sejam WordPress sejam Moodle, mas que não conseguem dar ‘o grito de Ipiranga’.

Estas tecnologias são do tipo ‘institution-centric’ e verticais por natureza.

Não é verdade que os estudantes usem o chamado «ambiente de aprendizagem» durante o seu tempo de trabalho nem durante o seu tempo livre.

Durante a nossa sessão de ‘Outcomes-based education’, Richard Felder perguntou à audiência (168 professores universitários e politécnicos) plena de especialistas educacionais: -“how many of you use a LMS for your personal learning?”. Surprise. No hands.

Tecnologias do Software Social são diferentes. Blogues e wikis têm vindo a ser realmente implementadas por aprendentes, eles mesmos. Podemos chamar a isso Personal Learning Environments (PLE) se queremos reforçar a característica ou ponto chave de que são, efectivamente, tecnologias desenhadas para servirem de base ao utilizador e não ao administrador da educação/formação

1 comment:

RC said...

Na minha humilde e ignorante opinião, acho que os educadores em Portugal (e falo da minha realidade) não são motivados nem se motivam a reaprender a ensinar. Felizmente não são todos, há ainda uns que lutam contra tudo e todos e mais tarde são apelidados de "diferentes" e que não sei se por acaso, acabam por gozar da "boa" popularidade entre os alunos. Ironicamente, acho que alguns da chamada "velha guarda" são aqueles que mais se interessam por inovar no ensino. Penso que o mal passa por haver muitos professores sem vocação e jeitinho para tal e que adoptam a carreira por prestigio e dinheiro (apenas), deixando de lado a paixão pela profissão.

Não acho que o bom professor é aquele que nasceu professor, mas sim aquele que gosta de ensinar. E acho que muitas das nossas Universidades/Politécnicos tem demasiados "não professores" a instruir e educar os nossos alunos que por sua vez irão dar em professores "de carreira", sem paixão nem ambição de ver alunos a serem bem sucedidos.

Esta para mim é a principal razão para que novos métodos de ensino custem a entrar em Portugal. Há demasiados professores que não o merecem ser.

E se nessa tal conferência em que o Professor esteve, estiveram presentes 168 professores, o que diz isso da classe? Eles são aos milhares, isso seria conferência para ter um Pavilhão Atlântico cheio de professores....

Mas isto sou só eu a desabafar, e apesar de não ter muitos anos de vida, desde cedo me dei conta e formulei esta minha ideia, que até hoje ainda não conseguiram tirar... apenas a fortalecem...

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