Monday, August 13, 2007

A globalização ainda tem peças à solta...


Apesar deste ser o post n.º 100+10 e o dia de hoje ser 13, não tenho nenhuma crença especial na numerologia, até porque quando jogo no loto, peço à dona da máquina para tirar uma aposta automática. Fazendo um esforço para transigir e dar o flanco, quando muito, recordo 11-11-72, dia em que cheguei de Angola. Também é a 11-11 que se festeja a independência dessas terras que tanto amo e aonde regresso sempre que posso.

Deixo-vos um vídeo simpático e uma história verdadeira que a mim, homem de durezas mil, me comoveu pela simplicidade da mensagem.

Vamos a isto: «William Kamkwamba on building a windmill»

Um jovem do Malawi, 19 anos de idade, William Kamkwamba, é um inventor desde nascença. Quando tinha 14 anos, construiu um moinho de vento capaz de produzir electricidade, juntando peças de reposição da sucata, interpretando e ajustando planos que dificilmente adaptou a partir de um livro da biblioteca chamado “Using Energy” e de modificação em modificação foi superando mil e um problemas até preencher as necessidades com que deparou. Com o moinho de vento obteve potência para quatro lâmpadas e dois rádios instalados na casa da sua família.

Esta história tem um final feliz, porque há sempre um americano desconhecido que lê a história num blogue africano, que por sua vez a foi buscar a um jornal local do Malawi (quem lê jornais do Malawi, ou do Lesotho, ou de Moçambique?) e que promoveu Kamkwamba numa conferência recentemente realizada nos States.

Neste momento está em movimento uma linha de sustentabilidade para os sonhos de Kamkwamba, para ele e para o seu trabalho modesto mas enormemente prometedor. Os membros da comunidade norte-americana começaram já a ajudar na melhoria do seu sistema de energia eléctrica (incorporando a energia solar), e promovendo um ‘upgrade’ da escola local quer no tipo de instrução ministrada, quer na equipa que prepara os jovens da aldeia.


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