Wednesday, June 6, 2007

Inovação organizacional na U.C.P.


“Portfolio Individual de Competências” ... a iniciativa arrancou este ano e pretende acompanhar os estudantes desde o primeiro até ao último ano de formação.
O projecto é desenvolvido no âmbito das várias disciplinas do curso (Economia, Gestão) e é constituído por diversas actividades: auto-avaliação do perfil de competências dos alunos do primeiro ano; levantamento das competências já existentes no currículo; balanço de competências pessoais; criação de uma “task force” de desenvolvimento curricular, constituída por professores e com o objectivo de sedimentar as “soft skills” nas actividades curriculares.

Notícia proveniente do Blog de Campus
http://campus-textos.blogspot.com/2007/06/catlica-aposta-nas-soft-skills-para-o.html

Nota de precaução:
A imagem representa exclusivamente a minha família e nada mais do que isso.
É que lá em casa, a produção de competências é de tal ordem crescente que andamos sempre às aranhas para arranjar espaço nos nossos servidores. São estudos, são projectos, são relatórios, enfim não há portfólio que resista.

A todos que preparam a trouxa para seguir até ao All Garb


Sexta-Feira é dia de vender Post-It ao quilo!
Peço encarecidamente à malta amiga, filhos únicos de pais estabelecidos e doentes de mitos zoológicos tais como águias e leões, que deixem ficar os Post-It no IESF; é que sexta-feira vamos precisar deles.
A propósito, tenho de procurar na mala do carro, junto ao pneu sobressalente se não estarão por lá estas invenções do demo.
FORUM e-U
Estão lá depositados uns bonecos que vamos procurar trabalhar na próxima aula.



Project Management e a necessidade de um Rumo

Boas,

O post anterior, do Ricardo Caldas, está engraçado e espelha a dura realidade dos engenheiros em particular e dos projectos das empresas no geral.

Eu já tive o papel de Project Manager na última empresa onde estive. O que passei foi grosso modo o que o Dilbert descreve, repetido por algumas vezes até eu próprio entrar em ruptura e não acreditar nas funções que estava a desempenhar.

Na minha opinião, eu penso que este tipo de atitude está intimamente ligada ao sector onde a empresa actua e que a frequência com que este tipo de eventos acontece está intimamente ligada com a falta de objectivos macro (Missão, Visão e Valores), típica das empresas dos sectores terceiro-mundistas (ou, melhor dizendo, condenados a médio prazo). Um exemplo perfeito em Portugal é o da Industria Têxtil.

Com a entrada do têxtil no GATT de 95 (vulgarmente chamado por OMC), depois de quase 50 anos de restrições, verifica-se a eliminação das barreiras alfandegárias aos maiores produtores têxteis do mundo e, consequentemente, à extinção (Pitra Rivoli, no seu livro The travels of a T-Shirt in the Global Economy chama-lhe "Corrida para o Fundo") da indústria em alguns países que, até aí, foram-na fazendo sobreviver à custa de incentivos múltiplos.

Assim, a entrada desses "novos" países produtores, nomeadamente China e India, na OMC, a industria têxtil tradicional cai em declínio em todo lado cuja riqueza esteja acima dos dois referidos países e força a que esses dêm o salto tecnológico, em muitos casos de uma forma abrupta.

Nos Estados Unidos, a subsidio-dependência para a industria têxtil, foi extinta em 95, à excepção da tradicional indústria de produção algodoeira onde, 200 anos depois, os EUA continuam a ser líderes no mercado global, com preços que arrasam a concorrência. A isto deve-se, sobretudo, a inovação. São líderes no rendimento, tecnologia e na dimensão das plantações. Além disto, os EUA são os únicos produtores do mundo a aproveitarem os resíduos do algodão (Para que se perceba, apenas cerca de 24% do total da colheita é efectivamente fibra de algodão. Tudo o resto são resíduos que são reprocessados e transformados em óleo, farinha e outros complementos).

Portanto, em 10 anos, a industria têxtil norte-americana passou a ser exclusivamente de produção de matéria-prima. Eles souberam "dar o salto" e continuam na linha da frente. Nós não.

Deixo aqui para reflexão o seguinte:

Desde 2004 que assistimos ao fecho/deslocalização das maiores fábricas têxteis do país. Pior que isso, e que muito poucos vêm, é o fecho da nossa industria têxtil tradicional, vulgo garagem, essa sim, verdadeiro motor do sector. Neste momento, a Globalização (o que quer que isso seja, para mim é uma entidade do género de um Deus) achou que Portugal ainda merecia mais uma oportunidade e, em 2006 iniciámos o ciclo daquilo a que eu chamo de último cartucho, recebendo encomendas em quantidades inimágináveis. O problema é que as empresas já estavam a preparar o fim. Iam-se deixar morrer, aos poucos, até que o fecho fosse inevitável. No entanto, foram aceitando essas encomendas e, neste momento, vêm-se "com o menino ao colo" porque já não têm a base da industria tradicional que os ajudava em momentos de aperto. Vêm aí os atrasos e os consequentes descontos. Portugal Têxtil está a saldo e o Governo nada faz para acabar com tudo isto de uma vez.

Na minha opinião, e como diz o Neil Youg, "It's better to burn out than to fade away"

Para saber mais:
Rivoli, Pietra, "As viagens de uma T-Shirt no Mercado Global", Editorial Presença, 2006
Wikipedia, "World Trade Organization", http://en.wikipedia.org/wiki/Wto, Junho 2007

Deja vu?


Será que a inércia das chefias é só típica dos portugueses?
Porque razão as "boas práticas" elas não passam de "boas teorias"? Será apenas uma questão cultural? Ou não há vontade de colocar as mãos na massa e de sujar o fato?

Tuesday, June 5, 2007

As marcas mais poderosas de 2007

A Millwar Brown cria desde 1998 um ranking com as Marcas mais poderosas do Mundo. Para isso eles consultam 1.000.000 de pessoas e comparam cerca de 40.0000 Marcas para criar o ranking.

As novidades no ranking de 2007 se calhar não são nada de especial, mas lançava a questão:

Será que este ranking pode ser comparado com a "Inovação e a Competitividade" das empresas que o compõem?


deixo o link para quem quiser fazer download do documento.

Sunday, June 3, 2007

INOVAÇÃO INCREMENTAL versus RADICAL




O novo regulamento RJIES proposto pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em discussão na sociedade portuguesa, propõe no seu artigo artigo 24.º a criação da figura do Provedor do Estudante em toda e qualquer instituição do Ensino Superior.

Para os meus alunos que têm alguma dificuldade em responder à questão colocada no Fórum e-U, eis aqui um bom exemplo de inovação incremental.


Interessante, esta distinção do RJIES, entre estudante e aluno. À priori estaria mais inclinado para pensar que o Provedor deveria ser do aluno; o aluno passa mais tempo na unidade de ensino do que o estudante, até porque o estudante tem outras coisas para fazer, além de alunar.

Então, querida(o)s amiga(o)s dos RHs, e o lobby nos locais de trabalho, será uma inovação radical???

Já foi dito um par de vezes, mas nunca é demais recordar… “Um blog é só mais uma ferramenta de comunicação + relacionamento activo por parte de quem entra na roda + relacionamento passivo por parte de quem só usa espreitadores”.
Olhando para isto nesta perspectiva e entendendo que o LABINOV (também) serve como braço armado da educação, funcionando como lançador de objectos de aprendizagem, regressemos então, ao local do crime.

INOVAÇÃO RADICAL:
Possui novas características de desempenho a nível mundial;
Causa impacto em termos de melhoria de desempenho superior em 10 vezes ou mais;
Altera a base concorrencial do mercado, não raras vezes gerando um novo mercado.
A inovação radical está concentrada em novas tecnologias, em novos modelos do negócio e em negócios da descoberta. A isto chamamos às vezes: "Technology Push Innovation” ou seja: “inovação por impulso da tecnologia”;

INOVAÇÃO INCREMENTAL:
A inovação incremental procura melhorar os sistemas que já existem, tornando-os mais baratos, melhores, mais rápidos. A isto chamamos às vezes:“Market Pull Innovation” ou seja: “Inovação por tracção do mercado”.


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Enquanto muitas organizações vão reconhecendo que a inovação é importante para o seu crescimento e sucesso, o termo “inovação” ainda se mantém sem uma concordância, que se traduza numa definição consistente no mundo dos negócios.

Inovação é criatividade dentro de um trabalho que tem de ser feito;
A inovação são pessoas que criam valor executando ideias novas;
O ponto de partida para a inovação é a geração de ideias criativas. A inovação é o processo de levar aquelas ideias até ao mercado;
A inovação é qualquer coisa que proporciona um novo benefício a um cliente ou a um empregado;
A inovação tem que ver com a procura e a descoberta, a experimentação, o desenvolvimento, a imitação (cópia) e a adopção de novos produtos, novos processos e novos alinhamentos organizacionais;
A inovação é a conversão do conhecimento e das ideias num benefício, que possa ser para uso comercial ou como bem público; o benefício pode ser sob a forma de produtos novos ou melhorados, processos ou serviços;
A inovação é o processo que transforma ideias em valor comercial;
A distinção entre a “invenção” e a “inovação” é que a invenção é a criação de uma ideia ou de um conceito novo, e a inovação é todo um roteiro que se percorre para transformar o conceito novo no lançamento comercial bem sucedido ou na sua difusão num âmbito muito alargado.

Saturday, June 2, 2007

APRENDER COM OS ALUNOS (?!)




Quando pertencemos a ambientes caóticos ou complexos, a actividade de ordenar, classificar, estruturar é maioritariamente fútil. Existem mais coisas para nós desconhecidas do que o seu contrário... ocorrem quando menos esperamos, não estão nos nossos planos… atingem-nos durante a noite quando havíamos previsto que só chegassem pela manhã.

É quase impossível aplicar a ordem quando a mudança é rápida. Em ambientes complexos, os nossos movimentos primários são realizados em torno da tarefa de exercer a nossa influência e de criar os resultados que nós desejamos, a procurar que tudo isso faça sentido e a compreender a forma e a natureza de tudo quanto vamos encontrando.


Quando eu olho para os tempos iniciais das propostas de ambientes de aprendizagem individualizada (personalizada) - uma espécie de roupa pronto a vestir com possibilidade de encurtar mangas e alargar peitos - muitos dos serviços sugeridos mudaram ou desapareceram. As plataformas de eLearning evoluíram sob um ponto de vista tecnológico, quase como o que se passou entre o Sputnik e o Space Shuttle. Trabalhar em ambiente Moodle ou Blackboard transporta-nos para possibilidades de criação, quase ilimitadas, no que se refere aos sonhos dos professores.

O que não evoluiu, em termos temporais, foram as estratégias colaborativas, através das quais nós podemos (em potencial) avançar séculos de ensinamentos, quando nos abrimos ao saber dos outros.

Ou seja, o desencanto com a quebra das expectativas vislumbradas por esta ferramenta fantástica que é a composição: computador + software + infraestrutura de comunicações, não tem que ver com produtos, tem a ver com a nossa falta de domínio da criatividade de base tecnológica.


Tecnologia: esta palavra tornou-se um mito.


A tecnologia, é como a beleza: quem a tem fica obcecado por conservá-la. Quem não a tem, vive frustrado e não sonha senão em adquiri-la.

De uma forma bizarra, quando se escutam as teorias e se participa nas discussões, percebe-se o quanto nos incomoda a imprecisão e a diversidade de sentidos atribuídos a este termo.

Ciência, engenharia, investigação e desenvolvimento, investigação básica, investigação aplicada, desenvolvimento de produto, tecnologia , tantos vocábulos que designam segmentos de um vasto universo de actividade técnica, para o qual não existe nenhuma etiqueta dita geral e abrangente.

Imagino Jardim Gonçalves, Teixeira Pinto e Jo Berardo, dirimindo entre si, a possibilidade do BCP ser um exemplo no domínio da tecnologia financeira.

Óbvio, existe uma visão clássica sobre o que é a tecnologia e também há uma visão actual. Perversamente, faço de conta que não tenho nenhuma proposta sobre a definição de tecnologia; como é que é meu povo? Fragmentada ou integrada???



Estivemos ontem no jantar Atlanticidades: eu, a Carla, a Fátima, mais uma quantidade de maduros e maduras (em termos de pensamento) e a Fátima precisou de perguntar cinco ou seis vezes o que é que eu ensinava nas aulas de Inovação. Embora a cultura portuguesa privilegie o negócio à mesa, eu tive alguma dificuldade em vender o produto à minha amiga Fátima.


Comecei com a 'economia da inovação' e a minha interlocutora, economista de profissão, teve dúvidas (muitas) sobre o meu balbuciar entre uma rodela de tomate e uma folha de alface.


Ao longo dos 91 km que tive de percorrer no regresso a casa, esforcei-me por demonstrar, quer à máquina que distribui o ticket na autoestrada, quer ao rádio que amigavelmente me acompanhava, a (não) facilidade com que se consegue comunicar umas dúzias de ideias sobre o que nós fazemos (Ah! Ah! fazemos…) e o quanto estudamos a temática da inovação.


É bom encontrar antigos e novos alunos que questionam incansavelmente, o nosso (difuso) saber. Obrigado Fátima, um abraço!